Como esquecer-te










Como esquecer teus 
meigos olhos sonolentos 
que eu beijava? 

E tua boca quente
procurando a minha
de um jeito ardente?

E teus gemidos alternando  
sussurros, cansaços  
e silêncios suados? 


E nossas sombras  
movendo-se com
desejos desnudos?

Como esquecer os dias 
e noites que vivemos
de intenso amor?



Como esquecer-te
facilmente assim
se tua presença ainda
se faz tão forte em mim?        

-JD


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Amo-te











Se meu corpo
não expressa
é porque não tenho   
mais pressa
em dizer-te.  
Amo-te
suavemente
e levemente
feliz. 
Amo-te
docemente
como o mar
ama a praia,
como o céu
ama a luz,
como o sonho
ama a noite,   

como o monte
ama a várzea,
como o verão
ama as folhas
antes do outono.  
Amo-te
um minuto
como se fosse
o sempre,
um momento
sendo eterno,
a eternidade
num instante.   
Amo a luz
do teu semblante,  

a tua pele
que a brisa afaga,
o teu olhar
que me fascina,
o teu corpo
que me alucina.  
Amo-te
simplesmente
por querer
te amar,
sem que você  
precise querer
me amar.  

-JD/


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Queria III















Queria te falar das flores
que vão chegar.
É quase primavera.

Queria te dizer dos amores
que invadem a cidade.
Do sol ardente
que aquece os corações.
Dos passeios ao sabor das brisas.
Ah! as brisas são indizíveis.

Queria que você visse,
que você sentisse,
que você vivesse,
que você não tivesse
partido.

-JD



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Toma conta de mim

Toma conta 
de mim, amor.
Acho que me perdi
numa estranha de dor
de querer-te,
de amar-te,
e por fim,
de não ter-te.

/JD


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Eu fui, eu sou














Um dia,
se você me encontrar,
não serei mais eu.

Serei uma sombra
que no tempo
se perdeu.

Estarei longe
do teu horizonte
e dos planos teus.

Serei um fragmento
de uma vida de sonhos
que você não viveu.

Terei vivido
e sofrido
o que você não sofreu.

Estarei além
do que te convém.
Já terei dito ‘adeus’!  

-JD/    



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Que tempo!















Não é que eu não tive tempo
de espalhar lembranças
por onde andei.

Foi o percurso... A longa distância
que fez com que o sol murchasse
todas as flores que eu levei.

De mãos ocupadas pelas trilhas da vida,
não retive as sementes que juntei;
derramei, perdi, não as plantei.

Precisei conter as lágrimas
na concha das minhas mãos cansadas
dos tempos idos que chorei.

Passaram muitas estações,
e com ela os pores-do-sol
mais lindos que eu não avistei.

Foi assim que
o tempo voou,
voou e eu fiquei.

-JD



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Momento...
















Cantei e orei por ti à noite enquanto
Absorvia o sagrado no inconsciente
Do sonho delirante decorrente
Do querer-te e do ter-te no acalanto.

Havia pressa em desejar-te tanto
Que tanto sufocou-me amargamente
O tempo que voou tão de repente
Findando a voz do meu altivo canto.

E num instante displicente a vida
Passou... Não percebi a recaída
Que tive e pouco a pouco fui morrendo.

E de tanto te amar, mas sem mais tempo
De emergir do profundo abatimento,
Não me dei conta que te fui perdendo.

-JD/



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Queria













Queria ouvir mais vezes a tua voz,
pois  soa-me doce e aveludada
além de ser um bálsamo
para minha alma já cansada.

Queria perceber mais tempo
o teu olhar a fitar o meu;
que teus olhos têm mais vida,
e mais vida reluz no meu céu.

Queria mais o carinho tenro
de tuas cândidas mãos.
Queria o aconchego do teu calor
porque não suporta mais meu coração
seguir pulsando sem teu amor. 

-JD               



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Meus passos











Meus passos,
quanto mais passos,
seguem mais lentos.
E ir ao teu encontro, hoje,
só no voo do vento.

O infinito é ali,
eu finito aqui,
e você de mim
segue à distância.

Receio de não
poder existir
mais comparação
entre a nuvem e a fumaça,
entre o fogo e o incenso,
o que me faz pensar
que Deus fez
anjos de carne
que andam sobre Terra
se locomovendo
por onde querem.

Meus pés permeiam
a Via Láctea
em noites compridas
e você nunca vem comigo
está longe e foge
do meu alcance.

Decididamente
não existimos
um para o outro,
ou nossos Mundos
são desenhos de papel.

Ou quis o destino
que nossos corações
vivessem separados
por todo o sempre.

Ou quis Deus
que os sonhos meus
fizessem voos
a outras dimensões,
e que meus pés
permanecessem
plantados aqui,
bem aqui onde você
não precisasse saber
que eles pararam,
aqui onde eu fiquei
de você distante.

- JD/



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Devaneios outros













Meus dedos deslizam
à beira do abismo
em devaneios
de medos alheios.

Árvores choram
e a natureza enlouquece,
sóis se demoram
longe dos céus
de nuvens da pressa;
a chuva que 
de graça não vem.

Vejo também
que o desejo
se esvai,
e o lampejo
que cai 
é mais devaneio.

Então, minha
alma caminha,
meu corpo para,
a noite dispara
dardo invisível,
bala perdida,
na vida rara
do raso mundo 
que vivo.

Se há Multiverso,
perdido estou
em devaneios
do universo
que nunca foi meu.

- JD/



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Medo

Que medo me assombra,
que minha alma ronda?
O de não poder te amar.

-JD/


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Tarde de sol















Era uma tarde
linda de sol,
e eu andava sozinho
na areia da praia.

De repente,
virei-me e olhei 
para o mar...

Era você,
acabei caindo
na sua onda.

- JD/


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Chove na cidade
















Tem chovido na cidade.
Encanto-me através
dos vidros e vidraças
com a beleza das gotas
chovidas cristalinas.

Observo a inevitável
destruição de sonhos
com lágrimas conquistados.

E à distância entristeço-me
com os pingos dos que choram
lá fora sem consolo.

- JD/



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Noites














Há um tipo esquisito
de ausência 
em mim...
A que ronda
minha presença
em noites mal dormidas,
menos iluminadas.


Há um tipo de noite
de inexistência
em mim...
Da tua voz
no meu silêncio,
sem que me ames.

Há um mix de “ências”
presentes na vasta
teimosia em existir,
sem te ver,
sem te ter,
sem poder te amar.

- JD/



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Baratas tontas












Barata tonta, 
de asa,
bateu no chinelo,
caiu na brasa.

Barata frita,
gente que grita,
medo da maldita.

Barata assada
é nojenta,
ninguém aguenta.

Que desordem
é essa?
Ordem: blattaria.

Blaberidae,
isso dá susto,
barbaridade!

Dia e noite,
baratas tontas
põem medo
em mocinhas
indefesas
que escondem
segredos.

- JD/



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Calado













Deixe-me quieto
no meu canto,
quero entoar
meu canto.

Deixe-me quieto
no meu banco,
estou sentado
no meu canto.

Deixe-me só
no meu canto.
Enquanto só
eu canto.

Deixe-me passar
em branco,
e só lembre de mim
quando ouvir
meu canto.

Se só,
causo espanto...
Não, não,
nem tanto.

Deixe-me viver,
viver meu canto,
sonhar meu sonho,
por enquanto.

- JD/



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Sozinho

Manhã, cama vazia,
afofados lençóis;
em mim, teu cheiro.

- JD/



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Anoitecer despercebido


Nublo, durmo.
Acordado
me descubro.

- JD/


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Ame mais


Ame mais as pessoas. Aconteça o que acontecer, ninguém perde por amar. Perde amor quem deixou de receber amor.
É certo que só palavras não bastam. Mas prefiro só palavras do que atitudes frívolas, do que só mentiras, do que só promessas, do que só utopias... 
Ame mais pessoas.


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Esperança germinada













O broto 
que brota
na ponta
da bota 
do pé
da flor,
é sonho 
que sonha 
na fé
o sonhador.


- JD/

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Andei

















Andei,
andei muitos passos
de vida
na vida que andei.
E atravessei
desertos
que mais pareciam
infernos,
e vi somente
aridez de amor.

Cheguei,
cheguei tarde
em sua vida,
eu sei,
mas, te encontrei...
Parecia o céu
quando te abracei.

Trouxe no peito
algumas pétalas
que roubei
pelo caminho,
emurcheceram
na colossal distância
que nos separou
por tanto tempo...
E chorei.

As pétalas
representam
o meu tudo:
Suor e lágrimas,
sonhos e conquistas,
amor e vida...
O meu tudo é pra você,
você, tudo que amei.

- JD/




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Contra o tempo
















Estive 
andando
por aí,
perdido,
pensando
em você,
tentando
te ver
em cada rosto
desconhecido,
de novo...

Enquanto 
ainda corro 
contra meu tempo.

- JD/




p1

Mar dos olhos teus












Olhando, assim,
no fundo mar dos olhos teus,
eu, de profundo amor
acaricio-te como se fosses
perfeita obra vivente
que terminou o escultor.

- JD/

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Teu sorriso II














Talvez não dê para ver,
mas antes de tudo
ou antes de nada,
é Deus quem me levanta,
é Ele que me sustenta.
E, durante o meu dia,
quando mais preciso,
o que me alimenta
vem da meiguice
estampada em seu rosto,
seu lindo sorriso.


- JD /


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Doces desejos














Madrugada longa
abrasa inesquecíveis
momentos só nossos.

Beijo-te o corpo
quente, nu inteiro,
bem lentamente.

Arrebatadores são
os teus gemidos,
até que estremeces,
até que estremeço.

Como se as estrelas
à Terra descessem
e ao céu subíssemos.

E olhando, assim,
no fundo mar dos olhos teus,
eu, de profundo amor,
acaricio-te toda, como se fosses
perfeita obra vivente
que terminou o escultor.

Sorvo o suor perfumado
que vem de dentro de ti,
do âmago de tua alma
como um vinho doce
que desce dos teus seios,
deposita-se na taça
ao redor do teu umbigo,
sacio-me em ti.

Meus desejos não têm fim,
minhas mãos te recolhem,
meus braços te acolhem,
te protejo e te arrasto,
te beijo de novo,
te cheiro e te inspiro,
tornou-se meu vício.

Meu corpo invade o teu.
Te penetro. 
Deliro. Deliras.

Quando chega a luz
do sol pela manhã
e corta o vidro da janela,
no quarto ainda é verão,
faz verão em nossos corpos.

E o cansaço te entrega
em meus braços.
Sinto-me ainda inteiro
dentro de ti.
Não há mais segredos
no teu corpo de desejos.

Acordamos, enfim,
para o novo dia,
e como se crianças
incansáveis fôssemos,
nos amamos outra vez.

- JD /



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Te amo assim
















Amo-te de coração. 
Amo tua alma suave, 
teus olhos de brilho, 
teu rosto de sol, 
teus cabelos ao vento. 

Amo teu sorriso, 
até teu jeito, 
com meu jeito indeciso. 
E é assim que te amo: 
Amo porque te preciso. 

-JD /



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Estiagem em mim













De tanto querer-te, 
De tanto pensar-te, 
Esvaziei-me incólume. 

E como a estiagem 
Que espera o céu se abrir 
Em torrentes de águas vivas, 

Assim está todo meu ser, 
Árido, desguarnecido, 
Ansiando por você inteira. 

- JD/



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Despedidas













Nessa vida 
de idas e vindas, 
nunca gostei 
das despedidas. 

Despedidas são pedaços 
de tantos sentimentos. 
Pedaços que deixamos 
e pedaços que levamos. 

Despedidas doem, 
ardem,  fazem nossos 
corações covardes. 

E tem despedida 
que é um verdadeiro ‘adeus’, 
às vezes, um até nunca mais. 

- JD/



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Teu sorriso













O rio encontrou o mar 
pelos delineados 
cantos do teu sorriso. 

Sorriso que subiu nos teus olhos, 
passou pela singeleza 
e encanto da tua alma, 
que mostrou o todo tempo 
paz e serenidade. 

Sorriso que transcende 
teu corpo curvilíneo 
para tornar-se um mar calmo, 
imenso de saudade. 

- JD/

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